sexta-feira, 12 de julho de 2013

O porco

The human Death

Ao longe o uivo solitário de um vira-lata esquecido pelos donos. Em casa apenas silêncio e morbidez. Deitada no sofá ela tomou o último trago de mel. O álcool queimou sua garganta arranhada e o gosto doce revirou suas entranhas. Uma lágrima quente escorreu pelo canto do olho indo aconchegar-se no cabelo emaranhado. Viu o porco e desejou ser o porco. O que se alimenta de seus semelhantes se for necessário para que viva. De carne tenra. De orgasmos infinitos. De muitos filhos redondos e rosados.

"É isso" - Pensou consigo - "Morro eu para que ele viva". Despediu-se de Mistery Beth, que soltava vários iaus da janela, despejando todo o saco de ração pela sala. Olhou-se uma última vez no espelho. Sorriu. Vestiu a máscara.

The Pig Birth

O vento lá fora estava gelado. Sabia-se gelado pois todos vestiam seus casacos pesados de cores neutras. Para o porco, vento era vento e não fazia diferença ao chocar-se contra seu novo couro suíno.
Deu alguns passos e maravilhou-se com seus cascos. Notou também que algumas pessoas riam, outras atravessavam a rua para evitá-lo e alguns cochichavam coisas que, naquele momento, pareciam inteligíveis. Algo como grunhidos.
Um peso na pata direita fez notar que trazia consigo um pé-de-cabra. Tinha fome. Fome de recém nascido. Fome de calor. Fome de vida. Ahhh, há quanto tempo sentia fome de vida! Cheirou o ar e foi invadido por uma gama de diferentes sensações, umas delas muito especial. Vinha de uma mocinha, emanava de seu corpo desenhando no ar ao seu redor rabiscos de luz, como rabo de comenta. Naquele momento soube, teve a percepção plena de que poderia comê-la. Para o bem de outros um porco honrado se sacrificava.
Atravessou por entre os carros que buzinaram em protesto. Dois se chocaram. A mulher olhou para a rua assustada, o porco sorriu, ele já estava perto demais. Cortou o ar com o pé-de-cabra, partiu-lhe a cabeça ao meio, montes de luz quentinha explodiram a sua volta, respingando em seu rosto, o coração acelerou, cada vez mais força, cada golpe mais letal. Agora tudo não passava de uma sopa de ondas eletromagnéticas. Não podia se conter, grunhiu forte como os irmãos fazem no abatedouro e jogou-se em meio à luz. A língua comprida ainda percorria cada orifício quando novas luzes atingiram-lhe a cara bochechuda. Ouviu mais grunhidos e não soube identificar o que significavam. Pôs-se de pé, abriu bem a boca, para que pudessem entendê-lo, levantou o pé-de-cabra e disse:

-Venham!

Foram como estalos. Balas que atingiram seu corpo macio. Sentiu o chão duro chocar-se contra o lombo e percebeu nitidamente o tilintar do pé de cabra ao cair mais adiante. Viu todos os porcos que se aproximavam, olhos esbugalhados, famintos eles também de vida, vida que ele tinha por todo corpo agora. Sentiu-se feliz.

"Um porco honrado sacrifica-se pelos demais!"


Murderous Pig's Death

O assassino trajava um macacão de mecânico e uma máscara de borracha de porco. Atacou a estudante, fulana de tal, de surpresa, deu-lhe de 7 à 10 golpes utilizando um pé-de-cabra. Após a agressão, o meliante chupou os ossos expostos da vítima. Uma testemunha chamou a polícia que chegou ao local em questão de minutos.

O cabo fulano de tal relatou que ao receber o comando para largar a arma e se afastar do corpo o "Porco" levantou-se, ergueu o pé-de-cabra andou em direção da polícia e emitiu um sonoro "Roinc!". Temendo por sua integridade o cabo descarregou a arma contra o lunático que morreu no local.

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