Não que esteja bom. Só não faz qualquer sentido. Não vou fazer a barba hoje nem amanhã. Não é estética, nem vaidade, nem metrossexualidade histérica, só não acordei pendendo para a higiene pessoal escultural dos meus pelos faciais. Talvez eu passe essa lâmina e desenhe um coração nessa bochecha, ou uma águia, não, não, detalhado demais, talvez só faça uma reta, uma reta limpa de pelos, os pelos que são obstáculos, talvez dê uma metáfora, uma metadentro, ou só fique ridículo.
Quem iria notar? As pessoas, mesmo os velhos tiozinhos e as velhas peruinhas, descoladas espiritualmente, para frentex, como diriam, não notam coisas bisonhas, ou fingem não notar. Elas devem olhar de soslaio, aquele olhar em que a bola preta dos globos oculares some de tanto esforço lateral.
Dizer a uma pessoa “Ei, a sua barba faz a sua cara parecer a bunda de um macaco!” não é aceitável. Não porque o cara não pareça realmente os glúteos primatais e sim porque julgar singularidades não está na moda. Liberdade é o que há!
Se por acaso aparecesse um pobre diabo que graças às traquinagens da natureza, nasceu defecado e cuspido a cara daquele fundador do Nazismo, o homem com nome que não se pode pronunciar, e dissesse as massas, enquanto cuspia bolo de chocolate sobre a multidão apaixonada: Queimem os porcos. Eles querem dominar o mundo. O rabo bifurcado nada mais é do que um aparelho radiofônico anal que transmite os sons emitidos em seu hábitat natural – Talvez a lama gosmando, ou a patroa porca dizendo: “Querido, Fred, Francisco, Frederico, Fredembaldo, Fredembuldo, Frorinda, Francesa e Frenesi sumiram!” ao que o querido responde em código: “Não querida, eles foram apenas empalados, assados e decorados com maçãs vermelhas fritas!”, na verdade querendo dizer: “Agente 69, os recrutas foram enviados de volta a Porcolândia, devidamente munidos de suas maçãs teletransportadoras!” O gancho dos abatedouros prateados cintilando no escuro, se esbarrando e tilintando à espera de toda aquela carne gordinha. Quando a conquista de um mundo não exigiu algumas baixas? – E informa o interespaço de nossas ações. Com certeza 999 pessoas, reparem que novecentos e noventa e nove invertido é o mesmo número da besta, acreditariam fervorosamente no deficiente mental com bigode de rabo de boi.
Sim, estou sendo teatral. Sim, estou sendo banal. Que artista não é? Que sentido há em ter palavras se não podemos jogar com elas? Por que eu deveria usar as mesmas expressões todos os dias, e ser igual todos os dias, e não exagerar todos os dias? Que paixão há em não ter paixão? Eu me apaixono todos os dias. Apaixono-me por mim, e por eu mesmo, e por aquele rapaz simpático no espelho. Sinto dó dele, tão odiado, inesperado e subjugado.
Eu enceno para as pessoas. Eu perco minha identidade. Sou narcisista, modista, extremista e anarquista. Sou ciumento, depressivo, torcedor, filósofo, amigo e impessoal.
Às vezes eu me pergunto se só eu tenho um eu para cada ocasião ou se todas as pessoas têm uma gama de eus como sapatos no armário. Se todos possuem essa pluralidade de personalidades, não uma mudança agressiva que transforma o lobo mau em chapeuzinho vermelho, porém, uma leve diferença no olhar, no pensar e se comportar, se for desse jeito ninguém jamais será conhecido por inteiro e para uma única pessoa existiria um grande número de vidas que coexistiriam paralelamente. Entretanto, parece impossível que uma pessoa portadora das mais diversas limitações seja capaz de manter separadas, como em arquivos velhos, cada uma dessas formas de existência. Deve ser esse o motivo pelo qual as pessoas não me amam. Imagine você começar a conversar com Edgar Allan Poe e terminar o diálogo diante de Sir. Arthur Conan Doyle. Perturbador.
Hoje pode não fazer sentido. Você lê isso e diz: “É um maluco!” Mas eu digo que releio e afirmo “É isso!” O ardor incalculado da ideia exagerada. Chama-se hipérbole no português? Ou seria hipérbole apenas uma curva no R3? Eu não sei agora. Não sei de nada agora. Só sei que está tudo rodando e torto, o vento me enverga e diagonaliza, e eu nem bebi porque gosto, mas sim porque eu queria impressionar os bebedores, horrorizar os sóbrios e castigar o idiota que amanhã pela manhã vai comer pão com gosto de areia.
PARTE II
Não se diz a um filho: Não beba! É muito geral, muito conflitante, eu diria, angustiante, tipo aquelas questões traidoras com aproximadamente 999 respostas - repare novamente no 666 - que faz um sujeito decidido pifar. O que é para deixar de ser bebido? Deus no Éden não disse: Bebei de toda água, menos daquela fonte de 88, Caninha brava. Quer dizer, naquele lugar Ele não vetou o álcool. O café pode ser muito prejudicial à saúde. Ouvir dizer uma vez que um sujeito tomou muito café em frente ao computador, ele estava jogando certo?! Uma partida daquelas que você não pode parar nem se estiver se cagando, e então depois de uma semana plugado, ele morreu. Tá certo que ele ter passado sete dias olhando todas aquelas cores epiléticas, sem descanso, sem comida saudável, à base de pixels e softwares deve ter feito muito mal, mas eu mudo de nome se o maldito do café não tiver um dedo nisso. Não confie em uma coisa que não te permite ver o fundo de sua própria caneca.
O que eu quero dizer, se é que alguém quer saber, é que se você aconselha uma pessoa a não fazer certa coisa tem de informá-la também o porquê de tê-lo feito.
É assim, como as mães de antigamente faziam. Elas falavam: Me obedeça ou o velho do saco te leva embora! Ninguém quer viver no saco de um velho. É deprimente!
Então, tem um motivo. Não quer ser levado pelo velho do saco? Obedeça! Depois disso os pobres infantes tomavam conta de todo e qualquer idoso com um saco nas costas. O fato de que, se o velho levasse mesmo as crianças ele não conseguiria sequer levantar o saco, não tem nada haver com a gravidade da situação. Contudo, as crianças ainda desobedecem. Não que não tenham medo do sequestrador ancião, mas necessitam saber a graça de desobedecer. Logo, o que as mães deviam dizer? Se você me desobedecer fará o que quer, isso vai te deixar feliz, porém o velho do saco te levará.
Como com a bebida. Te avisam: Não beba! Não comunicam: Se beber você vai se desinibir e controlar o mundo com as mãos. Levar 30 minutos para cobrir um espaço de 2 metros, pois os bêbados se esquecem da linha reta e lembram que a trajetória não altera o resultado. Ser popular enquanto houver etanol na sua corrente sanguínea, tombar e dormir. Beberá cada vez mais procurando essa espécie de carisma engarrafado, tirará dinheiro do próprio bolso para dar a família Walker e morrerá a míngua, marginalizado, cheirando a mijo a.C. Só mesmo os russos insistiriam depois dessa previsão barra admoestação.
Eu sei, parece lição de moral. Não é. Só estou tentando me convencer dos meus próprios pontos de vista enquanto debruçado sobre a porcelana sanitária barra vomitôdromo oficial.
A situação toda é no mínimo bisonha. Fui a uma festa. As pessoas deveriam se divertir em festas, comer, conversar, socializar. Bebi para descontrair. Dancei. Bebi para acompanhar alguém. Conheci umas pessoas. Bebi para me exibir. Beijei alguém. Jéssica, Teobaldo, não sei bem, não consigo lembrar. Bebi por beber. Bebi para cair. Caí.
Ou eu bati com a cabeça muito forte no chão e danifiquei meu córtex cerebral, ou a bebida me deu amnésia. Acordei no quintal de casa umas nove ou nove e meia da manhã e agora estou aqui, diante do bocão esperando que o próximo volume que saia pela minha boca não seja meu estômago, e imaginando como cheguei ao lar, doce lar.
Será que Deus está no céu sentado em seu trono reclinável, enquanto come batata frita industrializada sem gordura trans- realmente sem gordura – me olhando e comentando com #@$!ael, anjo das batatas de saquinho, o quanto eu sou um merda? Ele diz:
- Tá vendo?! Eu faço esse idiota, coloco no topo do mundo, apenas inferior ao capim, dou um cérebro, a capacidade de distinguir irmãs, tias e mães de reprodutoras e possíveis parceiras sexuais e ele me retribui enchendo a cara!
Decepcionar Deus é uma audácia muito homo sapiens. É tipo como, imaginem, se os computadores se virassem contra nós. A gente diz a eles, usem o Blue Ray disc e eles enfiam disquetes goela abaixo. Quer dizer, o Cara permite que uma pessoa qualquer invente o refrigerante, “Celulites são melhores do que transplante de fígado” Ele diz, e mesmo assim as pessoas preferem ser retalhadas, isso quando há um fígado para que possa haver o corte e quem sabe metade de uma vida nova para estragar o fígado novo. Afinal de contas, é de outra pessoa mesmo. Tsc tsc.
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