Tudo o que tocava, murchava. Amizades e amores dilacerados, tatuados sobre a pele macia.Vivia sozinha à sombra da cerejeira que não a amava, apenas a suportava ao passar dos dias. E balançava ao vento, sem nenhuma palavra, sem nenhum aceno, apenas as flores rosinhas.
Tudo que tinha era um gato. Felino esnobe demais para ser magoado. Olhos brilhantes que assistiam a carnificina. Enquanto os corpos feridos atingiam o chão com força, o gato se esfregava em suas pernas finas. Sua única companhia.
Andavam naquele mundo isolados. Ela e o gato.E às vezes um curioso os seguia. Então sentavam ao pé da cerejeira, e de cima ela tremia. Tentando avisar o transeunte, repreendendo a coisa fria.
Tudo corria tão bem, mas ao chegar da terceira noite, o espírito que se escondia no além, esgueirando-se, aparecia, feria a alma de alguém e alimentava o gato com sardinha.
Pobre menina, ela nunca percebia. Mas quando seus olhos se anuviavam um grande desastre sobrevinha. Seus ossos cansados ardiam. Um outro estado a possuía.
Ao acordar do transe estranho. Lá estava o defunto caído. O gato lambendo os bigodes. A cerejeira chorando baixinho. O vento soprando tão calmo e o coração apenas vazio.
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