Sei que os recentes acontecimentos, reproduzidos um tanto alegoricamente por certos locutores de tino duvidoso, fazem-na abominar meu nome e tremer ante a simples menção de minha limitada existência. Entretanto, minha estimada gorducha adornada com glândulas sudoríparas ferozes, e diria eu, mais do que eficazes, ouve - E cometo aqui um erro quanto ao sentido que terás de usar para penetrar aos recôncavos de minha perversão. O que provavelmente não notarás porquanto mal sabes grafar o próprio nome. Motivo pelo qual lhe desposei sendo o bucho que és, mas essa fica para a próxima missiva-, limpa os ouvidos e tenta concentrar-te em algo que não seja comestível, pois a ti, e somente a ti, ser de pouca instrução e cabalística alienação diante dos afazeres mundanos, revelarei a motivação de minha fornicação com o inominável.
Conheceis bem minha parentela. Passamos em casa de meus pais certa noite, e tenho esperanças de que estarmos a 120 Km/h não a tenhas impedido de ver a casa onde vivi e tornei-me o que sou.
O que não sabes mequetrefe, é que morei num inferno apagado, entre cinzas e fumaças.
Minha adorável mãe. Bruxa que a santa inquisição deixou escapulir por entre os dedos. Único homo sapiens com disposição para reclamar de segunda a segunda, da hora que seus meigos olhos reptílicos se abriam ao segundo em que tornavam, para felicidade geral, a se fecharem.
Grudava-se aos meus pulsos contando até mesmo as batidas de meu coração. Ao ver qualquer movimentação em direção ao banheiro, achava-se no direito, como genitora e semeadora de tão duvidoso DNA, de perguntar qual necessidade fisiológica desejava-se saciar naquela atividade. Fosse ela de natureza fecal,urinária, ou simples alívio manual.
Com os anos adquiriu o maldito hábito de rebolar naquela boca murcha, como um animal ruminante, arroz cru. Digo-vos pois que nem em África se comente tal abominação. Ao que os viventes, mesmo em vias de órgão devorando órgão para matar a perversidade da fome,esperam pacientemente ante a fogueira pelo cozimento do alimento provido pelo divino. Amém.
O som daquele cereal sendo triturado pelos dentes amarronzados da velha, as bochechas infladas pelo grande volume e a língua que vez ou outra fugia por entre os lábios para buscar um grão perdido ou salpicar o queixo com saliva me enervavam de tal forma que não podia concentrar-me em nada além da vontade de socar minha mão em sua goela.
Beijava-me e sentia como se tivesse um carrapicho na boca que me furava as bochechas e as têmporas. Sua voz era alta e parecia vinda de um cano de vaso entupido por uma massa fecal enorme. Limpava as narinas daquele nariz adunco e tucanal nas roupas íntimas. Nunca fechava a porta do banheiro, amaldiçoando o mundo com suas dobras abdominais carnudas, caídas por sobre a genitália e os pés em diagonal para dentro encerrando as canelas finas e enveiadas.
Daí para o homicídio foi um pulo, querido rabicozinho. As vítimas,todas mulheres. Pude antever em seus sorrisos afetados, no jeito como suas frontes suavam óleo de cozinha, na banha que se esparramava sobre os cós de suas calças o potencial para serem desolamento ambulante, quasares de infelicidade, mães minhas demais num planeta só.
P.S = Espero ansioso tuas páginas cheias das mais sinceras prosódias. Tente não xingar muito para não assustar teu colaborador e não chorar diante do fato de seres um fracasso na simples tarefa de escrever poucas linhas.
Com amor, seu prestigioso marido.
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