Sou dramática e desequilibrada. É isso. Tenho que aceitar a minha dramaticidade e desequilíbrio.
E tem mais, sou também emocionada. Choro quando os amantes me deixam. Choro quando me esquecem. Choro quando aparecem engalfinhados em outros amores.
Abomino o frio e o taciturno e as mensagens antiinflamatórias - de 8 em 8 horas.
Não ousaria dizê-lo em voz alta, mas quero dengo, chamego e cafuné. Não confesso porque para essa geração não existe crime maior do que o apego. Tenho medo de terminar de trás de grades, vestindo um tenebroso macacão laranja, condenada a dançar o thriller para o YouTube.
Gosto também de uma boa briga - porque sou desequilibrada. E exijo dos meus amores que briguem de volta. Que pelejem comigo esse bom combate. Só para viver as delícias das pazes mais tarde. Só para viver em paz pós conflito.
Como De Gaulle, eleito após a guerra dos paralelepípedos.
Sou dramática e desequilibrada e, por muito tempo, tive vergonha de sê-lo. Era como quem tem 3 mamilos e mantém o extra escondido com medo de ser vendido ao circo para o riso do público.
Mas que público é esse, eu pergunto? Que público é esse cujo julgamento pode sepultar um ser vivo?
O público do ansiolítico, dos vícios, da solidão, dos ataques de pânico, do amor incondicional dos cachorros, da falta de habilidades sociais, do ódio ao gênero oposto, do golpe no amor, do golpe sem amor, do vazio existencial, da falta de identidade, da dor sem palavras.
E diante da inadequação do próprio público, como Nelson Rodrigues abraçando a velhice ante a vergonha da nudez sem amor, dispo-me de vergonha, corro e agarro pelos ombros os sentimentos que carrego, abraço apertado, peço desculpas por tê-los rejeitado e os levo ao cinema.
Quarta feira o ingresso é mais barato.
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