quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O silêncio dos céus

Eu já sofri alguma coisa na vida.
Bullying na escola, rejeição amorosa [pasmem!], humilhação, abandono, solidão, medo, mas nada se compara ao silêncio sepulcral de Deus.
A cultura popular diz que Ele está sempre lá pronto para ajudar, desesperado, carente de atenção, mas a verdade é que Deus não é bichinho de estimação, Ele é o Leão, e como todo Leão Ele faz exatamente aquilo que tem vontade de fazer, a hora que quer fazer, sem jamais se submeter a vontade humana. Isso significa que às vezes Ele se afasta, e às vezes faz silêncio.
Agora veja bem. Já é difícil suportar o silêncio humano. Da mãe brava, do amante indeciso, do entrevistador daquele lugar legal em que você tem vontade de trabalhar, do professor que não divulga logo a nota... Imagine ter de lidar com o desaparecimento voluntário do seu criador. 
O sentimento de abandono é indescritível. 
A vida como que fica suspensa. O ar imóvel. E você chora, implora, faz birra, fica com raiva, jura ir embora e nunca mais voltar, volta, implora, chora, faz birra, tudo isso numa tentativa pífia de chamar atenção dEle. 
Porque, né, se Ele pelo menos tossisse. 
É quando você tem que lidar com a ausência de Deus que você percebe como a presença dEle é importante.
Você sabe agora que se tivesse a certeza da companhia dEle poderia sofrer a sua dor e quem sabe até a dor dos outros e ainda assim rolaria esperança, alegria em meio a lágrimas e o "sentar e esperar o próximo por do sol". 
Mas assim sozinho, qualquer formiga te faz tropeçar, qualquer cara feia te faz desmanchar, qualquer lembrança daquele passado distante te faz desejar não ter nascido. 
Para onde correr quando os céus parecem fechados?
Nos braços de quem se abrigar?
Por quem chamar? A quem pedir socorro?
Esse tormento, amigo, nem Televisa e sua Maria do Bairro conseguem barrar. 

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