sábado, 9 de agosto de 2014

Adeus a um amigo

E de repente, não mais festa ao chegar.
Não mais xixi na cozinha.
Não mais papelão rasgado em todo lugar.
Nenhum pão enterrado.
Ninguém aparecendo ao ouvir o som do pacote de biscoito ser aberto.
O latão azul parado.
E a saudade do cheirinho de sujeira foi a primeira a chegar.
Não mais euforia ao abrir a água da mangueira.
As plantas estão a salvo.
A areia não está remexida. Grudada ao muro.
A metade da bolinha amarela jogada ali.
Não mais latidos.
Ou choro pedindo para entrar.
De repente, as gatas podem descer a janela sem medo de assassinato.
Não mais passeio após o banho.
Não mais abraços.
Testa com testa, sentindo seus cílios roçarem no meu rosto.

De repente, o silêncio...



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